O efeito borboleta

Em 1961, o meteorologista Edward Lorenz trabalhava em um modelo matemático para a previsão do tempo e, para isso, considerou e comparou, por meio de um programa de computador, dados como temperatura, umidade, pressão e direção do vento e observou os resultados.

Em seguida, reinseriu novamente os mesmos dados para conferir os resultados obtidos na primeira vez e, surpreendentemente, partindo dos mesmos dados nas duas oportunidades, a segunda previsão do tempo foi completamente diferente da primeira.
Essa diferença tão radical entre os dois prognósticos ocorreu simplesmente porque, na segunda vez, o computador de Lorenz havia arredondado os dados, ou seja, ele considerou algumas casas decimais a menos. 
Ou seja, algumas poucas casas decimais, aparentemente insignificantes, ao geraram enormes mudanças ao longo do tempo, provocando uma sensação de caos. Dizendo de outro modo, o vento que causa o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode ocasionar um tornado no Texas, nos Estados Unidos. 
No exato momento em que relembro o efeito borboleta de Lorenz, vejo: o recuo do ex-governador João Dória em sua pré-candidatura à presidência; o presidente Bolsonaro completamente refém do “centrão”, a quem jurou combater; o ex-presidente Lula liderando as pesquisas de intenção de voto após ter todos os processos contra si anulados, não obstante ter ficado preso por mais de 2 anos pelas penas impostas exatamente nesses processos; o ex-governador Alckmin, fundador do PSDB, vice na chapa de Lula; o ex-juiz Moro, cuja parcialidade foi reconhecida e afirmada pelo STF e pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU, tornando-se réu numa ação popular que pretende vê-lo condenado a pagar por danos causados ao erário público.
Se alguém fizesse tais previsões em 2018, seria tido, no mínimo por louco, ingênuo ou fanfarrão, não tenho dúvida.

E ainda há quem queira cravar o resultado das eleições que acontecerão daqui a mais de 4 meses...


Eduardo Pires