Você sabe do que está falando?

Passados mais de 85 anos do final da segunda guerra mundial, que opôs aquelas que viriam a ser as potências do leste e oeste durante o período seguinte, da chamada guerra fria, assistimos, hoje – e perplexos – uma escalada de tensão e medo por conta da movimentação de tropas e armamentos na fronteira da Rússia com a Ucrânia.

Não tenho absolutamente nenhuma intenção – até porque me falta conhecimento e cultura – para fazer uma análise dos motivos pelos quais a situação chegou a tal ponto. Há analistas de política internacional, cientistas políticos e tantos outros intelectuais preparados para isso.

Falar sobre tudo, mas sem conhecer nada, a propósito, transformou-se não só em esporte mundial, mas também num grande negócio. Umberto Eco, pouco antes de morrer, cravou a maior e mais devastadora verdade que estaria por se apresentar tempos depois: a internet deu voz ao idiota da aldeia.

Pois enquanto a voz do ignorante não ecoava além dos poucos que se dispunham a ouvi-lo, certamente o mundo era um lugar mais seguro. A democratização dos meios de comunicação, mais notadamente das redes sociais, acabou por criar uma falsa noção de direito sem responsabilidade: posso falar sobre o que quiser e não devo satisfação a ninguém...

A liberdade de ter a voz – ou a dimensão das palavras e gestos – postos na internet, esbarra na responsabilidade de malferir ou destruir a reputação de pessoas, marcas e empresas e até mesmo atentar contra a vida ou a existência delas.

Portanto, antes de bater palmas ou demonizar Putin pela crise da Ucrânia, sem desconsiderar a angústia de estarmos diante de uma temível e inacreditável terceira guerra mundial, que tal contribuir para um mundo melhor e menos irresponsável, tomando o cuidado de não falar sobre o que não se sabe?

Boa semana e que o sol ilumine e aqueça os corações gelados do leste.

Eduardo Pires