Orgulho do orgulho alheio

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Em 1943, o psicólogo norte-americano Abraham Maslow, ao apresentar a Teorias das Necessidades Humanas, propôs haver uma hierarquia dessas necessidades, assim definidas: fisiológicas, segurança, afeto, estima e as de autorrealização. A teoria é representada por uma pirâmide onde, na base, se encontram as necessidades mais básicas, pois estas estão diretamente relacionadas com a sobrevivência.

Segundo a teoria de Maslow, no topo da pirâmide estariam as necessidades de autorrealização, também conhecidas como necessidades de crescimento, que seriam o desenvolvimento das próprias necessidades, o aproveitamento de todo o potencial próprio, ser aquilo que se pode ser, fazer o que a pessoa gosta e é capaz de conseguir.

Dizendo de outro modo, após ver realizadas e supridas suas necessidades fisiológicas e psicológicas, o ser humano, para atingir a completude, precisa de autorrealização, quando atingirá autonomia, independência e autocontrole, sendo capaz, por outro lado, de aceitar fatos, repudiar preconceitos, ser criativo, espontâneo e, especialmente, basear seus atos num senso ético-moral de respeito ao próximo e à existência dele.

Na semana em que se comemora o Dia do Orgulho LGBTQIA+, pareceu-me óbvio e natural constatar que o preconceito a essa comunidade, baseado pura e simplesmente na não aceitação da orientação sexual ou de gênero, distinta dos padrões heteronormativos estabelecidos a partir de conceitos morais calcados numa dogmática religiosa, tem dupla consequência: impede a autorrealização das pessoas dessa comunidade e, por via reflexa, também não permite a das próprias pessoas que alimentam o preconceito.

Quando essas necessidades não são satisfeitas, geralmente as reclamações dos insatisfeitos são relativas à ineficiência ou imperfeição do mundo para com as pessoas de um modo geral, à falta de verdade, à injustiça e à desonestidade. Neste nível de necessidade, os desejos estão voltados para a perfeição, para ser aquilo que o indivíduo tem potencial para ser.

Considerando, portanto, que o orgulho para com os próprios feitos é um ato de justiça para consigo mesmo, uma forma de elogiar a si próprio, dando forças para evoluir rumo a um projeto de vida mais amplo e melhor, também pode ser motivo de orgulho permitir e celebrar o orgulho alheio.
 
Bom resto de semana a todxs!
 
Eduardo Pires